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Seção de Textos e Artigos


Brasil: 500 anos de latifúndios ...
Por Denise Peres

"E vós que vireis
na crista da maré
em que hoje,
nos afogamos.
Quando pensardes em nossos erros
Lembrai também do tempo ruim
Ao qual escapastes."

Bertold Brecht



Os Sem-terra servem de símbolo para os 500 anos de um Brasil pobre e atrasado. Na sua grande maioria são gente honesta, que quer trabalhar a terra, educar os filhos. E, com tanta terra sobrando, eles vagam, como assombrações, desde o tempo de Antônio Conselheiro.

Em 500 anos de História, o Brasil nunca dividiu a terra. É o único país de extensão continental, em todo o mundo, com estrutura fundiária semelhante à da sua fundação! Existem 371 milhões de hectares prontos para a agricultura no país, uma área enorme, que equivale aos territórios da Argentina, França, Alemanha e Uruguai somados. Mas apenas 14% _ área igual ao México _ destinam-se à criação de gado. O que sobra, uma África do Sul inteira, é o que os especialistas chamam de terra ociosa. Quase metade da terra cultivável está nas mãos de 1% dos fazendeiros, enquanto uma parcela ínfima, menos de 3%, pertence a 3,1 milhões de produtores rurais.

O solo brasileiro, comparado com o de outros países, tem vantagens. Cerca de 70% do território brasileiro é formado por terras cultiváveis _ mas apenas 10% dessa área está ocupada por lavoura ou pecuária. É de assustar. De cada 7 hectares bons para plantio apenas 1 está produzindo. Desse ponto de vista, o Brasil é incompetente, para usar um termo suave. Na média mundial, o índice de aproveitamento é de 22%...

Além da terra farta, o país tem 35 % do estoque de água fluvial do mundo e sol o ano inteiro...

Mas .... lembrando o que o demógrafo americano Joel E. Cohen, da Universidade Rockefeller, escreveu em seu livro: "Quantas pessoas o mundo pode abrigar ..." vemos que nunca a humanidade cresceu tão rápido quanto na segunda metade do século. Hoje, nascem três bebês por segundo _ o que dá um Maracanã lotado por dia, ou uma Alemanha por ano.

O problema é que os recursos naturais não crescem na mesma proporção. Uma família média, com cinco pessoas, consome por ano água suficiente para encher duas piscinas olímpicas. No mesmo período, uma pessoa sozinha ingere uma quantidade de calorias equivalente a um boi e meio.

Roger Revelle, diretor do Centro de Estudos Populacionais de Harvard, calculou que a Terra poderia sustentar 40 bilhões de pessoas, desde que todas fossem vegetarianas ortodoxas. Isso porque a produção de carne e laticínios gasta muita água e ocupa áreas enormes com pastagens e cereais para produzir ração. Se toda a humanidade fizer questão de consumir seu bife à parmegiana de cada dia, o limite de população cairá para 10 bilhões.

Em 1983, a FAO, órgão da ONU que trata de agricultura e alimentação, calculou um limite de 32,8 bilhões de habitantes. A condição era que fosse aproveitada cada centímetro de área cultivável do planeta. Seria necessário passar a motossera na Amazônia, e transformá-la em plantação de cereais.

"Evidentemente, se quisermos um mundo densamente povoado, precisaremos pensar num mundo com menos desperdício", diz Cohen.

A ONU calcula que, dentro de 25 anos, 2,8 bilhões de pessoas viverão em regiões de seca crônica. O Banco Mundial diz que, em dez anos, 40% da população mundial não terá mais água suficiente.

"As guerras do século XX foram por petróleo. As do século XXI serão por água", previu Ismail Serageldin, ex-vice-presidente do BIRD.

Embora o planeta seja coberto de água, apenas 2,5 dela é doce. Como parte está congelada nos pólos, na forma de icebergs e geleiras, e outro tanto fica no subsolo, a profundidades muito grandes para ser alcançadas, o homem só tem acesso a 0,001% do total.

O maior problema hoje não é a disponibilidade dos recursos mas a má distribuição deles.

Enquanto boa parte da população americana consome mais de 4.000 calorias diárias de alimentos (o dobro da dieta saudável para uma pessoa normal), há milhões de famintos vivendo com menos de um quarto disso na Índia. Sem um equilíbrio mais justo nessa balança, saber quantas pessoas cabem no mundo continuará sendo uma simples curiosidade...

Temos ainda as agressões ao planeta, como por exemplo, os bilhões de toneladas de poluentes que são jogados na atmosfera pelas indústrias e pelos carros, derramamento de óleo e produtos químicos no oceano, acidentes nucleares e devastação das florestas que ameaçam o futuro da vida na terra.

As nações industrializadas produzem 500 milhões de toneladas de resíduos tóxicos por ano. Parte do lixo é exportada para os países do terceiro Mundo, que concordam em estocá-lo...

E por aí vai. Poderia-se escrever não livros, mas enciclopédias, somente com informações sobre má distribuição de recursos, agressões à ecologia, etc.

Porém, de um ponto de vista astrológico há uma frase de Dane Rudhyar que me marca profundamente, quando resolvo pensar a respeito do futuro ...

"Estamos chegando ao momento decisivo. Tudo depende da clareza do nosso conhecimento e da pureza e da compaixão do nosso amor. Tanto o conhecimento quanto o Amor sozinho é possessivamente cego. Todas as transformações espirituais profundas e radicais, capazes de alterar a realidade global do Homem requerem uma mente iluminada e um coração todo-abrangente." Dane Rudhyar

É preciso buscar então, iluminar nossa mente e expandir nosso coração para que possamos enxergar um pouco além da janela do apartamento ou do vidro do carro e ver e sentir tudo o que podemos fazer, como astrólogos-cidadãos, e estarmos atentos ao "momento" deste país...

Se vivemos aqui no Brasil, e o temos como pátria, é natural que queiramos ter esperança no seu futuro como nação. A questão é que não há nação se não houver cidadãos.

Plutão em Sagitário, no coletivo, deixa este momento muito crítico para reavaliarmos nossos valores não só religiosos mas, e principalmente, morais. Podemos esperar tanto obsessões como exames de consciência, e tanto a necessidade de destruir como de transformar. O que não podemos é estar ausentes de um processo de conscientização da cidadania que, no Brasil, ocorre pela crescente indignação popular diante do apego desmedido à manutenção de imorais privilégios dos "poderes executivo, legislativo e judiciário" (Discute-se um aumento de parcos reais ao salário mínimo, ao mesmo tempo que os mesmos personagens do poder se mobilizam desesperadamente pelo "teto triplex" e acúmulo de privilégios). Ora... a única coisa que poderá mudar este quadro, um dia, é a consciência de cidadania, mesmo que num repente, como aconteceu com as Diretas Já, por exemplo.

Como Urano diria, plagiando à psicanalista Miriam Chnaiderman: é a imprevisibilidade do instante que nos dá esperança. É no instante mágico em que algo da história é rompido que passa a poder haver movimento de transformação.

Cidadania é uma palavra que só sairá do dicionário para o coração e alma do brasileiro a partir de 28 de fevereiro de 2002, quando Urano estiver a 25 graus e 40 minutos de Aquário, grau do Ascendente do mapa de Independência do Brasil, segundo Antônio Carlos Harres, que usa o horário de 16:30 para o "Grito do Ipiranga". Como fiz um curso com ele três meses antes da queda do Collor e ele deu mês, dia e hora para isso acontecer, não vou entrar na discussão do horário escolhido...

Antes, porém, de fevereiro de 2002, temos o stellium em Touro, agora em maio de 2000, instalando-se todo na casa 3 e 4 do Mapa da Independência do Brasil. Sendo que a conjunção Júpiter-Saturno ocorrerá praticamente em conjunção com o Fundo de Céu deste mesmo mapa.

E o que faremos diante da "crise" já instalada há 500 anos de abuso de poder, de abuso do uso dos nossos recursos naturais, de abuso da posse da terra .... com os Sem-Terra e os Sem-teto e os Sem-trabalho todos à nossa porta, não mais como assombrações, mas extremamente reais como Saturno gosta!

O que faremos com tudo poluído, podre, seco, estéril, como a sombra escorpionica desta casa 4 regida por Touro, que ameaça tornar-se real, em breve...

Como a palavra crise vem de uma raiz grega que significa "Decidir", penso que temos, nestes 500 anos de Brasil, decidir o que queremos para seu futuro, vivendo o presente de forma mais lúcida e criativa.

Os antigos chineses tinham uma palavra sábia para nomear "crise": wei-chi, uma combinação de duas palavras, perigo (wei) e oportunidade (chi ). Pode-se ver uma crise como uma catástrofe, como algo terrível a ser evitado a qualquer custo, mas também pode-se entende-la como uma virada, um estágio ou degrau crítico em desenvolvimento _ como a possibilidade de acontecer algo novo, uma oportunidade de deixar as coisas correrem e se transformarem.

A questão, nesse caso, não é "como podemos evitar dor, crise ou mudança..." mas: "como podemos entender e usar esses períodos com mais criatividade..."

O "pulverizante Plutão", como diz Howard Sasportas, trabalha sobre nós de uma maneira própria e inesquecível, lembrando-nos do adágio que fala que "a vida é como uma pedra _ ou nos tritura ou nos dá polimento".

Mas se acreditarmos, entretanto, como os antigos chineses, que a crise é uma oportunidade para o nascimento de algo novo, incrementaremos nossa capacidade de usar esses períodos construtivamente.

"As crises são umbrais que devem ser cruzados ; o que conta é a qualidade essencial do Movimento de Cruzar. O fato de podermos tropeçar, cair e nos machucar gravemente, ou de cometer trágicos erros ou fazer asneiras e magoar outras pessoas é em quase todos os casos inevitável. A principal diferença entre a vitória e a derrota, pelo menos temporária, reside na qualidade do nosso ser." Dane Rudhyar

Não podemos esquecer, ainda, além de Plutão em Sagitário, em trânsito na Casa 10 do Mapa da Independência, de Urano em Aquário preparando-se para atravessar o Ascendente e Júpiter e Saturno em Touro, de mãos dadas, na Casa 4, de Netuno em Aquário, na Casa 12 !

Como gosto de palavras como "consagrar" e de "sacrifício" para falar de Netuno, vou buscar na etimologia destas palavras, a luz para entender o que Netuno nos pede, nesse momento de crise, de cortes, de ruptura, de consciência como foi proposto pelo grande quadrado do Eclipse de 11 de Agosto.

"Consagrar" provém da mesma raiz que "sacrificar"; significa "santificar com" ou "santificar juntos". Como santificamos coisas tão sumamente mundanas como o pão e o vinho por exemplo, a resposta é: juntos.

E "Sacrifício" vem dos termos latinos sacer, "sagrado", e facere, "fazer". Significa, literalmente, "fazer sagrado".

Dentro deste raciocínio netuniano em Aquário, na Casa 12, penso que só haverá saída para este país, como nação, se todos se "sacrificarem" e se "consagrarem" a ele. Usando todas as qualidades e dons que recebemos de forma divina para que a vida neste país _ e planeta _ tenha um propósito. Senão não existiremos mais que para comer, dormir, fazer sexo e morrer e efetivamente a vida se converte então no Tibil (prisão do mundo terreno), porque o desespero nos acossa cada vez que a embriaguez passa...

"Dia virá
um dia, na sucessão sem fim dos dias,
quando seres
agora latentes em nossos pensamentos,
ocultos em nós,
se levantarão...
e rirão
e colocarão suas mãos em meio
as estrelas".

H.G. Wells-1902


Denise Peres
Astróloga e Jornalista
Curitiba, 17 de março de 2000

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